"Se nossa intenção for modificar quem realmente somos, não teremos sucesso. Se nossa intenção for nos tornar quem essencialmente somos, não poderemos deixar de ser verdadeiros diante dos mais profundos anseios da nossa alma."
Este é um post resultado de uma conversa e de uma troca de e-mails, mais do mesmo para quem acompanha este blog.
Primeiro eu estou num momento dedicado apenas ao trabalho, os meus desejos e anseios por experiências escolhi deixar por hora adormecidos.
Um período de alguns meses de vida simples e focada. Se em algum momento eles despertarem, por escolha minha, vivência ou pelo beijo da princesa encantada, lido com eles como puder, sem maiores planos. Em parte porque duas quase mudanças me acenaram com mudanças grandes demais, que não quero pelo menos agora, ou pelo menos não de uma forma tão radical.
Bom, os papos que tive tinham a ver com separações, assunto que eu conheço. Pessoas cujas vidas seguem em constante transformação.
Uma vez ouvi que os as mulheres casam com os homens esperando que eles mudem... e eles não mudam. E que os homens se casam com as mulheres esperando que elas não mudem... e elas mudam.
Só que as vezes as mudanças são muito rápidas, para o parceiro e pra gente mesmo. Como lidar com isso? Acho que só a verdade e o diálogo conseguem amenizar... se a nossa companhia tiver este mesmo empenho, este desapego ao que existe. Mas é compreensivel a resistência... é como se fizéssemos um investimento em um banco. Colocamos energia psíquica, tempo, dedicação, em busca de obter algo que pudesse nos render dividendos para sempre.
É comum, principalmente para as mulheres, deixar a vida afetiva de lado para construir uma carreira. E nas horas vagas aprender sobre si mesmo.
A geração dos singles. Pessoas que escolheram a carreira, a casa, o status, o conhecimento e o poder como foco. Um certo individualismo e autonomia potencializados. Onde as relações são acordos. Troca de carinhos e de prazer, sem maiores envolvimentos.
Sem julgamentos. Não se trata de uma distorção, de um "passo do sistema para nos engolir e nos tornar robôs" mas simplesmente escolhas, ou um fenômeno social, de mudança de valores.
No papo surgiu que traição e tradição são intimamente relacionadas, surgiu novamente otema da liberdade. Mais precisamente a relação entre segurança e liberdade... que a gente faz a troca da liberdade por segurança... com o parceiro, com a comunidade, com o Estado.
O cumulo da segurança é a prisão... seria o cumulo da liberdade a solidão? A irresponsabilidade? Individualismo? Acho que isto responde melhor a um questionamento que fiz uns dois posts atrás.
Essa harmonização de elementos aparentemente contraditórios foi o centro da reflexão... que os contratos verdadeiros ( e aqui a verdade é um elemento chave ) são aqueles permanentemente rediscutidos. Ou seja, as relações, assim como a liderança, liberdade e segurança, são circunstanciais. (bom, talvez aqui uma obviedade ululante)
Em uma reflexão pós ano novo do meu blog, eu cheguei a conclusão que não queria tantas mudanças de curso que me levassem a abandonar o que tenho para recomeçar uma nova caminhada. Prefiro a experiência de algo novo, por um tempo finito, que sair de um cenário de segurança para cair em outro onde vou construir um novo ambiente, talvez uma nova prisão.
Qual é o nível de liberdade, autonomia ou independência que você quer? Você está disposta a abrir mão de que por esta escolha? O que te segura? Medo de perda? Medo de causar dor? Medo de abandonar, de enfrentar a solidão? O que te move? Que prazeres, curiosidades, sonhos, ideais e experiências?
Às vezes eu quase matematizo isso... como uma soma de vetores, como forças em diversas direções.
É isso, vamos vivendo cada momento.
Os passos não conduzem a um objetivo, cada passo é um objetivo.
Passei uma semana em Campinas, onde iniciei um projeto novo com a Honda Trading. Revisitando e tirando as teias de aranha dos conhecimentos em comércio exterior, assunto é dificil de transformar em software.
Várias experiências: trabalhar com horário regradinho para entrar, sair, almoçar e tomar café. Acompanhar o processo de uma montadora que solta mais de 100 carros por dia, exemplo de organização e disciplina. Ver um novo sistema nascendo com a promessa de ajudar muita gente a trabalhar com mais tranquilidade e qualidade. Olhar uma cidade que ainda me é estranha pelo vidro do quarto de hotel e me perguntar da vida, das histórias e dos sonhos da cidade adormecida. Conviver e conhecer melhor o colega que está dividindo o projeto comigo, entusiasmado pela experiência completamente nova e gratificante de trabalhar com o que gosta, colocar em pratica seu conhecimento, sendo parte de algo maior.
Várias reflexões, que surgem sempre que estou em situações diferentes. Por isso que cultivo as transfomações. Melhor ser a metamorfose ambulante do que ter a velha opinião formada sobre tudo. Sábias palavras.
Me perguntei se não seria eu livre demais. O cúmulo da segurança é a prisão, o cúmulo da estabilidade é a morte. O que seria o cúmulo da liberdade? A loucura?
O tempo vai passando e eu vou me percebendo mais maduro. Ainda um adolescente, ainda uma criança. Mas agora sentindo uma brisa diferente. Não mais os vendavais de paixões enlouquecedoras (e estupidificantes) ou aqueles ventos de transformação que me convidam a levantar as velas e mudar de lugar, mas um sopro morno e suave que convida a criar raizes, a desacelerar porque estou chegando em casa.
Eu tenho escrito pouco sobre mim neste espaço. Minhas reflexões continuam acontecendo, mas num ritmo mais lento, um tanto sufocadas pela sucessão de acontecimentos. Às vezes digo correndo uma parte do que anda acontecendo comigo, mais o externo.
Isto porque procuro escrever algo ao mesmo tempo visceral e bem escrito. Algo que faça sentido pra mim e para quem lê. Um pouco mais de qualidade que quantidade, algo que venha dos sentimentos, mas sem exageros e superlativos adolescentes.
Andei doente estes ultimos 15 dias. Uma combinação da cidade correria que me oprime, do ar seco e poluido e de questões importantes que não dependem totalmente de mim. Grandes projetos sendo iniciados. Tudo muito mental pro meu gosto.
Estou zen neste momento, ispirado por algumas daquelas pessoas que com poucas palavras e olhares conseguem aconchegar o nosso coração e mostrar que está tudo bem, está tudo certo.
Liberdade sempre foi um tema de conversas e reflexões pra mim. Mas por algumas razões o tema veio com força estes dias.
Sempre me movi em direção à liberdade, construindo minha autonomia financeira com a empresa e pessoal a partir das minhas escolhas.
Como consequencia de todo este movimento, alcancei uma primeira liberdade. A possibilidade de ir e vir pra onde quiser, morar só, me libertar do conceito de pecado, do medo do inferno, me relacionar com tribos diferentes.
Posso ficar trabalhando em casa em uma manhã de segunda, encerrar o expediente às duas da tarde ou ir tomar um chocolate quente às três da madrugada. Assistir nu a um filme na sala de casa.
Essa primeira liberdade, de trabalho, de crença, de movimento, emoção e de pensamento é fundamental pra se reconhecer quem a gente é. É dessa liberdade que fala a vida simples deste mês que passou. Liberdade de ir para qualquer direção, de aprender o que quiser. O processo que consiste em descobrir o que nos amarra e cortar estas cordas.
Liberdade... a maior de todas as prisões.
Porque? Se a gente pensar um pouco, é fácil ver que podemos ficar viciados em liberdade, ou amarrados a ela. Cortamos as raizes, nos tornamos seres alados, alheios à terra.
Mas o quanto é real uma liberdade que não nos permite escolher os laços ou compromissos? Se eu não posso escolher fazer um curso à noite para não perder a liberdade, o quanto sou realmente livre? Ter todos os amigos do mundo não seria exatamente não ter nenhum amigo de verdade?
O que me chamou para este raciocínio foi a reportagem "Obama, o conciliador" da revista Piauí. Barack Obama, candidato a candidato a presidente dos EUA vem de uma familia onde o pai e a mãe tiveram movimentos diferentes de deixar as cidadezinhas do interior americando seguindo em direção à liberdade oferecida pelas grandes cidades, indo parar no Hawaii. Os pais de obama se casaram (cada qual teve casamentos anteriores) e se separaram, deixando apenas filhos perplexos.
Obama fez um caminho inverso: voltou para o continente, se estabeleceu na cidade, casou-se com uma mulher de uma familia integrada à comunidade local, tornou-se pastor.
E na reportagem: algumas provocações:
"Quanto todo mundo é da família, ninguém é da familia".
É isso, precisamos nos diferenciar. Soltos na cidade, quem somos nós? Qual é a nossa identidade perdidos no mar de gente? Precisamos construir a nossa rede, escolher os amigos, escolher as raizes e viver as tradições negras.
"O universalismo é uma ilusão. A liberdade, no final das contas, não passa de uma forma de abandono. Você pode começar largando a religião, depois os pais, a sua cidade, o seu povo e o seu modo de vida. Mais tarde, quando você acaba largando a mulher ou o marido e os filhos, isso vem a lhe parecer o resultado de uma progressão natural"
Talvez seja esta a minha jornada do herói, talvez seja essa uma liberdade mais verdadeira: sair pelo mundo, deixar para trás toda a vida que era programada para mim e escolher voluntariamente, conscientemente e com convicção cada pedacinho do caminho que eu quero.
Fui à igreja com meus pais na quinta passada, comemorar uma grande vitória do meu pai-herói. Me emocionei, me fez bem. Dar as mãos por um momento com uma egrégora, com um grupo que nunca reconheci totalmente como meu e que desta vez fez mais sentido. Cantar e bater palmas ao lado da minha irmã, mãe e sobrinha, cantar palavras de alegria e fé com a familia teve um significado além das palavras.
Ai está, entre uma ilusão de liberdade absoluta e cega e um aprisionamento igualmente cego, existe uma liberdade verdadeira, conduzida pela luz da consciência, algo pessoal que cabe a quem quiser vivê-la o esforço para descobrí-la.
Talvez esta seja mais uma das minhas voltas em torno do óbvio, mas colocar estes pensamentos aqui sempre me ajudam a elucidar as minhas questões.
No começo deste ano eu decidi que aprenderia a fazer edição de filmes.
Ao invés de fazer como um ser normal e pegar algum easy video editor tabajara, já fui de cara descolando um AdobeAfterEffects e não contente com isso, uns pacotes de animações, vinhetas, cursos, efeitos de som e efeitos especiais.
Assinei um site de videos de treinamento e comecei a estudar.
Como é comum nessa vida com tempo limitado, chegou um momento que o trabalho apertou e não deu tempo para seguir no estudo.
Aí o tempo passou e eu pensei (eu sempre penso depois, sou meio lerdo pra essas coisas, rsrsrsrs) "que diabos eu quero com isso?". E foi aí que caiu a ficha:
Eu quero a experiência. Saber e experimentar como é editar uma cena, treinar o olhar e a habilidade para aplicar alguns efeitos especiais. Ou saber como é saltar de paraquedas, voar de asa delta, estar na cabine de pilotagem de um avião. Mas não quero ser um piloto.
A ficha caiu quando vi estes videos, de adolescentes que tiveram tempo e paciencia para criar dois vídeos de lutas Jedi e aquele anterior de stop motion. Fiquei pensando o tempo e dedicação para montar um video desses. Eu não tenho este tempo de desenvolver, muito menos de treinar o suficiente para fazer esta edição.
E mesmo que fizesse algo assim. A proxima pergunta é: E daí? Vou virar um astro do youtube? Trabalhar na TV? Me candidatar ao BBB? Acho que não. Tou a fim só do barato do video, que pode ser algo bem tosco, valendo a experiência em si.
Eu levei alguns anos pra perceber que biodanza pra mim é uma prática de crescimento e não uma profissão. E alguns meses para sacar que não vou mudar de profissão para edição de video ou piloto de fórmula 1 ou arqueólogo, mas que vou seguir procurando experiencias, não porque seja o sentido da vida ou algo tão épico, mas simplesmente (dãã) porque eu gosto.
Em tempo, o video acima levou 9 meses do conceito ao lançamento: uma semana de filmagens em uma fábrica na Georgia e seis meses de edição para colocar os lightsabers, os efeitos da parede. Dorkman (o de óculos) estava desempregado, de modo que pôde colocar muito tempo no projeto.
Depois de um ano estranho, de muita porrada e muito aprendizado, eu venho para este 2008 novo em folha.
Voltei para a academia. 100% de frequencia até agora (bom, 2 dias possíveis).
Banho de loja na decathlon. Hidroginástica é o novo hábito que quero desenvolver.
3 novos pares de sapato, 20 pares de sapato doados. Restou só o essencial: 3 pares de tenis, 7 de sapatos, 3 sandálias, 1 chinelo e só.
Num dia de trabalho desencalhei um mês de enrolação. Liguei para alguns clientes e fui peneirando... é sim ou é não. Recusei um projeto grande que ia dar muita dor de cabeça, confirmei dois projetos bons e um novo cliente está chegando, coisa boa daquelas parcerias de longo prazo.
Pra este ano eu quero é isso. Pouco e bom. Mereço o melhor e me darei o melhor. Da melhor viagem ao melhor descanso. Por isso mesmo vou escrever menos por aqui. Novas direções para dedicar o tempo.
Muda, que quando a gente muda O mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a gente muda a gente anda pra frente. E quando a gente manda ninguém manda na gente. Na mudança de atitude não há mal que não se mude Nem doença sem cura. Na mudança de postura a gente fica mais seguro, Na mudança do presente a gente molda o futuro!
Já que o assunto são filmes, quero comentar o filme "Um bom ano".
Foi o primeiro filme de 2008, que assisti 2 vezes no cinema.
Russell Crowe interpreta Max Skinner, que aos 11 anos é cuidadosamente educado na arte de saborear vinhos por seu tio Henry, dono de um vinhedo na França. Adulto, Max torna-se um bem-sucedido (e implacável) homem de negócios em Londres, sem qualquer tempo para outras coisas. Certo dia Max recebe a notícia de que Henry morreu, deixando-o como único herdeiro. Pensando em ganhar um dinheiro extra vendendo a propriedade, resolve visitá-la rapidamente. Mas uma vez ali, percebe que não será tão fácil vender o lugar que lhe traz tantas lembranças de infância.
O filme provoca a minha já clássica reflexão sobre o que realmente vale a pena na vida. Respeitando as devidas proporções (tipo, tirando uns três zeros) me lembra a minha história tal como pensei quando adolescente e na qual venho caminhando: uma primeira etapa de vida concentrando-se na vitória material para depois desfrutar de um momento de maior tranquilidade na maturidade. Por isso comecei a trabalhar tão cedo.
Seguindo a comparação, não obtive o mesmo sucesso de Max (até pela diferença de ponto de partida e porque vencer aqui no Brasil é um bocado mais difícil) mas sigo um caminho mais suave e pleno de vida. Não dá pra comprar um vinhedo na frança, mas quem sabe daqui a alguns anos não arrumo um canto pra viver bem no nordeste ou em Toscana?
De tempo em tempo eu me apaixono. As vezes por pessoas, as vezes por idéias. Estou vivendo uma paixão pelo trabalho e colhendo bons frutos. Tendo bons encontros com pessoas especiais e vivendo a vida do meu jeito. Felicidade tem sido uma constante estes dias.
Tem uma coisa nova surgindo pra renovar o fim de ano: estou começando a estudar edição de videos. Comprei um novo computador hyper-mega-atômico que deve chegar esta semana. Vou instalar o aftereffects e estudar nas horas vagas, que tem sido poucas estes dias. Mas eu me conheço, sempre consigo abrir espaço e me dedicar às paixões, sejam elas quais forem.
Ontem foi o dia do meu aniversário. Um dia normal na rotina, especial nas atitudes.
Não quis nada de extratosférico para este aniversário. Fiquei no fim de semana na casa de meus pais. Almoço tranquilo em familia. Escapei da musiquinha do parabéns falando que dá azar cantar antes. Não sei porque, mas sempre odiei essa situação do povo cantando uma musica que eu vejo tão sem sentido quanto cantar o hino nacional, simplesmente recitando fonemas e batendo palmas.
Mas enfim, tive uma sessão de amigoterapia à noite. Sai com um brother meu para caminhar, conversar e tomar umas. Acabamos indo num restaurante japonês, onde ficamos no balcão, falando bobagens, trocando idéias com o sushiman e rindo bastante. Foi uma versão chique da conversa no balcão do bar.
E nas conversas surgiu o insight que tou vivendo aos 34 a crise de meia idade, uma transição que ocorre em torno dos 40 anos. Uma transição nebulosa e vaga desencadeada não por mudanças fisiológicas ou de percepção, mas por um novo conjunto de mudanças que dependem da situação de cada um: se a pessoa casou e teve ou não filhos, se a carreira estagnou ou decolou, se ainda vive com os pais ou não e, se a pessoa sente algum declínio físico.
Eu estou vivendo só, com uma carreira desacelerada (porque eu quis), com muitos amigos. Sem filhos, com amigos e vez por outra encontros incriveis com pessoas maravilhosas.
Lá pelos vinte e poucos anos o a gente cria uma espécie de sonho ou fantasia do que será a vida lá na frente e começa a trabalhar para isso.
Depois de um tempo, lá pelos 40, a gente faz uma reavaliação que pode levar a uma sensação de perda ou fracasso. “O que fiz da minha vida e o que desejo fazer com o resto dela?“.
Acho que é um pouco isso: passei os ultimos tempos olhando a vida de novo, repassando as sensações, pesando os incomodos, olhando as conquistas. Um momento de olhar as coisas de forma mais fria.
Li em um livro de Edgard Morin que é muito dificil a gente ser sicero com a gente mesmo. Ser fiel à realidade. Porque a realidade é aquilo que a gente sente. Quando vivemos uma experiência qualquer, damos mais brilho ao que gostamos, escondemos o que não gostamos. Assim, nossa memória fica comprometida por uma parcialidade dos nossos filtros ou paradigmas. Do mesmo jeito, quando lembramos de algo, os fatos passam novamente pelos mesmos filtros.
Mas no mesmo livro, ele menciona que a sinceridade brota de momentos de turbulência, quando a gente é retirado da posição normal e passa a enxergar, pelo menos temporariamente, as coisas sob um outro angulo.
Acho que é isso que acontece. As coisas que eu valorizo, o que eu gosto, as conquistas, os valores, as amizades e as relações... estou vendo tudo de outro angulo, mais sério e desapaixonado.
Um momento de mudanças... um momento de trocas. Outras atitudes, outros movimentos, outros valores. Repensando a relação com pais, a atitude na empresa, os desejos para o futuro.
Muitas coisas estão claras agora, outras nem tanto. Vou compartilhando conforme for descobrindo.
Mas o que está consistente é a questão do trabalho. Estou focado, disciplinado, energizado. E isto está puxando as outras coisas da vida. Se a minha carreira parecia caminhar para um momento de sossego, agora eu vejo que está apenas começando. Se antes eu ia atrás das dezenas de milhares, hoje vou para as centenas, ou para os milhões. Me aguardem, rsrsrsrs.
Ah, dá uma olhada no post abaixo, que coloquei a letra e tradução da musica do The the, que como muitas das musicas que eu coloco aqui, refletem pela letra ou pela melodia o meu estado de espirito.
Eu poderia te escrever um e-mail, mas quero que esta mensagem te pegue de surpresa. Antes ia te falar por telefone, mas por sorte não consegui, de modo que o que sinto escolheu um caminho mais lirico para se expressar.
Sabe, amada, ler suas palavras de manhã, compartilhar do seu grito de liberdade e alegria sufocado me trouxe uma certa tristeza e uma certa esperança. Tristeza pelo momento dificil, esperança por saber que neste mesmo momento você segue obstinada em sua essência, sem se deixar adoecer, sem se anestesiar perante o mundo de exigências, mesquinharias, falsidades e desamor.
Eu que andava recolhendo as minhas esperanças, encontrei um punhado delas. Encontrei em musicas, em atitudes, no fazer e no não fazer.
Olhei no espelo e me vi envelhecido. Uma mecha de cabelos brancos crescida no alto de minha testa, um olhar que não tinha mais certeza do que iria fazer em seguida. Lancei um olhar critico sobre a figura do espelho: terá sentido esta minha vida? O tempo gasto em aprendizado, o tempo gasto em diversão, o tempo dedicado ao trabalho, a sonhos que mudam de posição o tempo todo?
Quando a gente abandona o caminho que os outros escrevem para a gente, fica essa sensação de andar no escuro. As vezes um tanto faz seguir por um lado ou pelo outro: sempre tem um pensamento que vai apoiar e outro que vai negar... Crescer? Conservar a inocência? Trabalhar e construir? Curtir a vida com intensidade? Vivê-la sem pressa? Um carrão ou um carrinho? Tesão ou carinho? Paixão ou amor?
Eu olho e vejo as tantas coisas que quero mudar, mas não consigo. Ouço as pessoas me dizendo para me cuidar mais, para comer mais devagar, para emagrecer. Ouço uma voz que reconheço como a minha me pedindo para mudar o mundo, para me engajar em (mais) uma causa. Volto a Oriah: porque é tão raro eu querer ser quem eu realmente sou ao invés de querer ser quem eu quero ser? Até porque quem eu quero ser muda tanto...
Mas quem tem amigos não se perde, não corre o risco de enlouquecer. Essa teia de amor que nos mantem colados pela responsabilidade que temos: de manter a energia circulando entre nós, porque a todo momento podemos fazer a diferença na vida das pessoas, o que já é uma causa e tanto.
Foi um dia bom, de reflexão interna, preguiça e auto-indulgencia pela manhã, uma boa reunião de trabalho à tarde (uma dose de o gordo e o magro em um novo e bom cliente) e de telefonemas para pessoas queridas, ouvindo boas noticias, reatando laços.
Percebi que as mudanças na vida têm de seguir devagar. Pequenos passos, pequenos esforços possiveis. Seguir em um ritmo constante rumo a nós mesmos.
Decidi o que farei no meu aniversário: vou passar o fim de semana com minha família. Pedir uma comida boa para minha mãe, pedir a companhia da minha irmã, sobrinha e cunhado, curtir o meu velho herói que retornou da obliteração. Não quero muito mais que isso: conviver e contar histórias, sem TV e sem computador.
Eu sei que você me compreende, porque também tem o coração alado, que como eu talvez sofra mais que os outros. Mas lembre-se que a gente também ama com mais intensidade por não viver num permanente outono, no crepusculo sem fim de quem escolhe uma vida mais ou menos. A gente guarda essa memória de quando voava de mãos dadas com os anjos, ouvindo a música das esferas. E se olhar através da dor, enxerga essa... nostalgia de tempos anteriores ao nosso nascimento. Com ela a ternura de saber que no momento certo retornaremos ao nosso lar, enriquecidos por nossa experiência, felizes por termos passado tantos momentos especiais de mãos dadas ou de corações conectados apesar da distância.
A cada dia encontro um pedaço de mim nos outros. Hoje foi a sua vez de contribuir para um pouco de mim, eu que em meus mergulhos vez por outra me despedaço.
Coisa estranha, impressionante... assustadora até. Mas com final feliz.
Nas últimas semanas eu vinha experimentando uma depressão sem motivo, mais exatamente um... desânimo. Se ânimo vem de alma, então desanimado é estar sem alma.... e é isso que eu passava.
Periodo estranho, sem energia. Vivendo feliz mas com uma sensação que a vida estava um pouco opaca, sem razão. Tudo certo financeiramente, afetivamente, fisicamente... mas ainda assim um vazio. E diferente de outros momentos em que me recolher era o suficiente para compreender o que se passa ou sentir o que tinha para ser sentido, esse movimento não passava.
E eis que a coisa mais impressionante acontece. Recebo uma visita que literalmente me trouxe de volta o pedaço da minha alma que faltava.
Eu não compreendo direito, nem sei ao certo se é possivel acreditar nisso totalmente com a razão, mas como vivi histórias telepáticas, conexões arquetípicas, experiências misticas para as quais não existem palavras, eu silencio a mente e apenas aceito o que é.
Há pouco mais de um mês atrás eu estive no encontro nordestino de biodanza, que vivência após vivência veio me trazendo para o eixo, renovando a minha paz. E ali, em uma vivência de transcendência profunda eu abri o coração e a alma, lavado por uma luz intensa que levou embora minhas dores e tristezas. Mas parece que levou também a minha capacidade de sentir completamente as alegrias e enfrentar com garra os desafios.
E neste fim de semana recebo uma visita, uma pessoa que conheci no encontro, com quem passo horas conversando, ouvindo e contando as minhas histórias. Lançando um novo olhar para as antigas histórias a medida que falava, aprendendo com o que ouvia. Aqueles encontros mágicos que parecem ser um reencontro de velhos amigos, de pessoas que passaram muito tempo juntos. Conversamos por horas e em um determinado ponto, contei um episódio especifico, anterior ao encontro nordestino. Algo que não compartilho com as pessoas, mas que me veio como uma necessidade de falar.
Foi neste momento que esta pessoa me olhou com olhos marejados e me disse que finalmente entendera a razão estar ali. Ela recebera algo intenso de mim naquela vivência, algo que ficou reverberando internamente nela, que criou um impulso de entrar em contato comigo, que nos levou a longas e brilhantes conversas e no fim das contas a trouxe de Goias para cá.
Uma lição como nenhuma outra: a responsabilidade que devemos ter com a gente mesmo, com o nosso coração. Com quem a gente se vincula, o quanto é preciso se proteger e caminhar devagar, sobretudo quando se está em uma vibração ou em um momento de vida em que há esta abertura para dimensões além do visivel e material. Se por um lado permite receber intuições, ouvir e passar conselhos de amigos do outro lado, os sussurros do meu anjo de guarda ao meu ouvido, por outro cria novos riscos.
E um presente, saber que qualquer parte da nossa essência permanece conectada mesmo à distância, através do tempo e do espaço. Que segue chamando por nós e criando as condições para serem reintegradas. Um presente receber de volta parte de mim, sentir novamente aquele vigor, aquela sensação de "Estou apenas começando", que apesar de uma idade cronológica maior, ainda tenho a alegria, o amor e o vigor os meus 20 anos, com mais sabedoria e equilibrio.
Fica aqui a gratidão ao anjo que trouxe de volta meu coração.
Estas semanas estou em um ritmo de mergulhos musicais.
Tudo começou com um encontro de amigos que aconteceu de forma improvisada. Reencontrei Dario, uma pessoa que já trabalhou na ideológica e que agora dedica-se a dar aulas de informática e tocar (tem uma banda cover do legião - ele tem uma voz parecida com o Renato Russo). E conheci Rafael, uma figura jovem que já vive de musica, com uma abordagem profissional rara entre a média dos artistas.
Ficamos tomando vinho, conversando, ouvindo algumas musicas, comendo a especialidade da casa: pizza (risos). O legal de ouvir boa musica com quem entende do assunto é que dá pra aprender a ouvir a musica como quem aprecia um perfume ou degusta um vinho... "olha, aqui é uma referencia ao primeiro tema, lá na abertura".
Lá pelas tantas o Rafael pega o vilão e começa a tocar algo diferente: musicas de videogame. Que viagem, ouvir por exemplo a musica do sonic no violão. Ele toca violão classico e proporcionou boas risadas e momentos nostálgicos.
Como eu sou meio lento pras coisas, só saquei agora que estou com o ouvido mais sensivel e com o meu impulso natural de buscar novidades musicais. E tenho encontrado verdadeiros tesouros, que vou procurando e colocando aqui pra os meus três leitores curtirem.
Acho que este vai ser mais um daqueles posts cabeludos, que sei mais ou menos por onde começa mas não tenho certeza onde vai parar. Às vezes uma idéia ou pensamento me encontra distraído e me agarra pelo braço, dizendo "escreva-me" e só me larga quando eu coloco ela no papel, realizo alguma mudança, comento com alguem ou coloco em prática. São idéias que vêm com uma força de auto realização. Esta me pegou ontem a tarde e me acordou hoje às 4 da manhã.
O ponto de partida são as mudanças de comportamento, de energia, de postura e de pensamento que tenho experimentado estes ultimos meses. Geralmente fico com um pé atrás pra essas mudanças, comento com meus amigos mais próximos, que são mais acolhedores às minhas viagens e impulsos passageiros e que também me dão feedbacks sobre o que vou compartilhando.
O que tenho experimentado é também um aparente paradoxo: estou com mais energia e vigor, que se reflete no emagrecimento e ganho de força. Ao mesmo tempo estou ainda mais sereno. Acho que passei por um periodo de desintoxicação psiquica, que desencadeou uma desintoxicação fisica (o impulso natural de mudar a alimentação). Ou vice-versa, vai saber.
E caminhando tranquilamente em direção à padaria da esquina, tenho um insight. Esse novo nivel de energia é uma influência, uma inspiração da história de paixão que vivi há alguns meses? Uma das (muitas) coisas boas que restaram depois de uma história de vida intensa, morte e renascimento? Provavelmente.
Mas aí dei o passo seguinte, a pergunta que nunca se cala: quem sou eu, afinal de contas? Uma tentativa de resposta eu escrevi em um post anterior. Um bom começo, me apropriar da minha caminhada, reconhecer o meu valor.
Mas dizer "eu sou assim" me congela em uma forma ou um conceito.
Então eu prefiro o "estou assim" como um reconhecimento até fugaz do momento que estou vivento. Me descongelo, passo para um estado liquido.
Eu não sou uma constante. Nenhum de nós é uma constante. Às vezes a gente se apega a um estado bom, se refugia em um momento de conforto ou simplesmente relaxa e se acomoda. E tudo bem, temos mais é que desfrutar do que nos acontece de bom. O convite é de desfrutar com atenção, mantendo a sensibilidade para as mudanças que estão ocorrendo o tempo todo.
Mas voltando ao quem eu sou, à essa ginástica de definir o indefinivel, o que eu quero dizer é que eu sou a soma de uma série de variáveis e fatores (essa é ótima... sou uma equação, hahahahaha). O que quero dizer é que quem eu sou depende de tantas coisas sutis e mutáveis, forças que mudam de intensidade o tempo todo e que assim alteram o comportamento e as atitudes.
Eu frequento várias tribos. Convivo com pessoas de teatro, com executivos, com psicologos, artistas, adolescentes, crianças, idosos, arquitetos, marketeiros, publicitários, advogados, contadores. Nenhuma destas palavras define qualquer uma dessas pessoas, mas dá pistas sobre o seu comportamento, ou melhor ainda, referem-se a um mapa de sensações e conceitos que tenho dentro de mim a partir da percepção, convívio e aprendizado. Tudo é relativo. Bem, em cada grupo eu tenho um comportamento diferente. Parte máscara, desempenho dos papeis sociais, parte porque eu sou um pouco aquela situação. Ou parte dela.
Eu sou o meu corpo. Não "tenho" um corpo, mente ou uma alma. Eu sou. Não tem aqui uma posse ou separação. E meu corpo muda... as células vão se reproduzindo ou morrendo, as conexões neurais vão acontecendo e, hum, desacontecendo.
Eu sou a minha memória, a minha história, o meu aprendizado. Lembro e esqueço, e mesmo o que lembro é variável... experimento a vida através dos meus sentidos. Logo, a realidade é aquilo que eu sinto. E os meus sentidos não são absolutos ou matemáticos... ouço parte, imagino complementos. Vejo de um angulo e coloco cores e brilhos diferentes sobre o que vejo. Quando me lembro, a minha memória passa pelos mesmos filtros e retoques, uma espécie de photoshop mental, onde aquelas pelancas desaparecem, onde as dores são evitadas.
Eu sou também esses filtros. Sou as escolhas que faço, consciente ou inconscientemente.
Eu sou o lugar que eu ocupo. O apartamento onde eu moro, com a bagunça e ordem, com a energia minha colocada ali.
Eu sou um pouco das pessoas que amo e que convivo. Sou um pouco Leia, um pouco Wlad, um pouco Wanda, um pouco Rubens, um pouco Soraya, um pouco Vagner, um pouco Angela, um pouco Sanclair... um pouco, ou muito, de cada um. Cada vez que eu tenho um encontro profundo com alguem, ocorre essa troca, essa comunhão. Um passo adiante, sou Isaac Asimov, Arthur Clarke, Oriah Mountain Dreamer, Rolando Toro... as leituras e idéias que me influenciaram... sou o que aprendi na escola, sou meus professores, livros didáticos e brincadeiras de escola.
Se eu sou as minhas idéias, cada vez que tenho uma nova idéia eu sou um pouco diferente. Cada passo que dou eu mudo um pouquinho. E aqui eu chego na tal autopoiese. Eu crio a mim mesmo.
Se troco idéias, se reconheço que uma idéia faz sentido, passo a ser outra pessoa, variando essa mudança conforme o quanto esse novo pensamento muda a minha forma de ser no mundo. Então, quando me encontro com você, ou mesmo quando você lê este blog com a cabeça e o coração abertos, você corre o sério risco de se tornar um pouco eu.
Momento viagem: pensei em um monte de Gilbertos andando por aí. E de certa forma há.
E mesmo mudando o tempo todo permaneço o mesmo. Mesmo caminhando pelo mundo, onde quer que esteja, se me perguntar onde estou a resposta não muda: estou aqui.
E se a gente reconhecer que a identidade é assim, tão permeável, em que isso muda a nossa forma de ver o mundo? Se eu sou o lugar que ocupo, o que eu sou, com quem estou... em que isto influencia estas escolhas? Caio nas três perguntas chave, o projeto existencial:
Onde quero estar?
Com quem eu quero estar?
O que eu quero fazer?
Cada uma vale um post, uma reflexão. Cada uma destas perguntas deve ser feita novamente o tempo todo.
Não sei se isto tudo satisfez a minha idéia, mas eu me sinto aliviado de colocar no ar esse pensamento, de escrever e compartilhar essa viagem, até para organizar - ou desorganizar - o pensamento. Ver a identidade como algo liquido, perceber o mundo como algo permanentemente em transformação é, hum, muito louco.
Eu já escrevi sobre este assunto antes, em março de 2006, mas senti um impulso de revisitar o tema, a partir do que aprendi nestes últimos tempos, de grandes dores e aprendizados. Reescrevi o texto, depois de reler e repensar. O texto estava num meio termo entre a reflexão e a poesia (só falar de paixão já vai trazendo efeitos colaterais). Reescrevi para ficar mais claro.
A paixão... Reloaded.
A paixão tem a ver com o que é novo, com o inusitado, com o diferente. Aparece quando a gente conhece uma nova pessoa ou vê algo novo em alguém. Um eco de algo especial que temos dentro da gente. Muitas vezes, uma tela para projetar o nosso filme.
Paixão tem um efeito imbecilizante (risos). A gente fica mais tolo, perde um pouco do bom senso. Deixamos de enxergar sinais evidentes, aceitamos o inaceitável, sofremos, gozamos e insistimos mesmo quando não existe mais nada. Isto porque é muito mais para o instinto que para a razão. E por isto é facil atropelar ou consumir o outro, é fácil deixar de enxergar a outra pessoa e ficar só vendo a nossa fantasias, desejo, planos e sonhos. E para o outro é um desafio, competir com uma fantasia.
Paixão nos faz implorar, nos leva a desempenhar papeizinhos medíocres e patéticos. E a gente adora. A paixão não aumenta com a satisfação, mas com as dificuldades.
Quando a paixão domina o coração, este inventa razões que parecem não só plausíveis, mas decisivas para provar que o amor justifica tudo, até a perdição. Convence de que até a honra é bem sacrificada e a vergonha um preço módico a pagar.
Pede o encontro de corpos, pede um encontro de almas. Tira a gente do eixo e nos leva por novos, tortuosos e perigosos caminhos, sem que a gente perceba. Como canta Toquinho, muda a nossa vida e depois convida a rir ou chorar.
Paixão é tesão. Sempre. E paixão acaba. Sempre. Paixão se renova. Às vezes. Geralmente começa ao mesmo tempo, mas raramente termina simultaneamente.
E o que resta depois do incêndio? As vezes amor, às vezes dor quando percebemos que nos traimos, que nos queimamos, ne nos desrespeitamos e nos deixamos ser desrespeitados muito além do que jamais permitiriamos em qualquer lugar ou situação. Pesar por ter abandonado. Perceber quando a outra pessoa está em pleno vôo, depois de incentivarmos ela a saltar , sem que não temos condições de sustentar o vôo ou oferecer um pouso suave.
E mesmo assim, a paixão pode ser uma grande lição de humildade, em sua energia e crueldade.
E por alguma razão, inscrita a fogo na alma do homem, a gente precisa disso. Ouvi recentemente uma amiga dizer que de tempos em tempos precisava viver intensamente estes momentos de dor e de melancolia.
E por mais que soe estranho, admito que eu também sou assim.
É como se minha alma a cada ciclo me levasse a estes mergulhos no fogo infernal para me limpar do que não me pertence, dos pensamentos, padrões e idéias que não condizem com os desejos profundos, para forjar de mim um novo eu, com um olhar limpo, com uma nova leveza.
Vivi três episódios assim. Quando um grande amigo e mentor morreu há 14 anos atrás, me forçou a ser meu próprio mentor, e a montar a minha empresa. Quando me separei, há cerca de 7 anos atrás, sai pela vida em busca de aprender a expressar a minha natureza amorosa.
Parecem os tais ciclos de 7 anos... porque passei por algo intenso assim, uma morte e renascimento que uma paixão (e sua interrupção) deflagrou, e hoje eu me deparo com um novo caminho aberto, que não sei onde vai dar, mas que deixa claro que é um novo passeio e uma nova lição. Um uma caminhada que vou fazer à minha maneira, da minha forma apaixonada de viver, com as dores e prazeres que ela reserva.
Eu não gosto muito da cultura de metas, prazos e objetivos, em especial quando aplicados à minha vida pessoal. Podem ser pilares da administração moderna, mas não me servem como forma de conduzir a existência.
E no entanto, de vez em quando vale a pena estabelecer alguns marcos e algumas direções. Direções para conduzir caminhar e marcos para saber quando passamos. Talvez sejam a mesma coisa, mas o que eu quero é prestar atenção no caminho que estou percorrendo, sem ficar cego pelo resultado.
Bom, filosofadas a parte, estou estabelecendo alguns marcos e direções pra mim. Algumas públicas outras secretas.
As públicas:
Direção: Vegetarianismo, marco: vegetarianismo ou semi-vegetarianismo por 100 dias. Excluir carne vermelha do meu cardápio e procurar refeições vegetarianas sempre que possivel. Frango e peixe, se o corpo pedir.
Direção: Meditação, Atividade física e Biodança como hábitos. Essa combinação é o que entendo como meu caminho de evolução (um dia detalho isso). Marco, me inscrever e me manter em aulas de yoga e de kungfu, além da prática de biodança e meditação.
As privadas:
Direção 1, marco 100 dias.
Direção 2, marco secreto, uma consequencia das publicas.
Embora não seja nada de novo, esse é um assunto que estava refletindo estes tempos e resolvi comentar.
Existe uma teoria que ficou bastante conhecida nestes tempos de orkut, de que cada pessoa está conectada a qualquer outra no mundo por apenas cinco passos. Qualquer um, de Osama a Bush. Funciona: eu conheço uma pessoa cuja irmã conhece o lula que conhece o Bush. Bush em 4 passsos. O truque é chegar no lula ou no bush, e tudo fica mais fácil (risos).
Mas agora que a gente descobre como ganhar o jogo, mudam as regras. As pessoas estão agora muito próximas (qualquer um a cinco passos) muito mais rápido e instantâneo. Qualquer um tem 100, 200 amigos no msn e 200, 500, 1000 amigos no orkut. Muita gente que conheço participa de 200 ou mais comunidades e tem até um celular chique pra receber os e-mails quando não está no computador.
Fica muito mais fácil conhecer alguem. Ou conhecer alguem que é amigo de alguem. Até mesmo ser super amigo de fulano, que você nunca encontrou na vida real. Basicamente, a gente passa a ser amigo de todo mundo. Amigo numas, porque a gente pode até ser amigo do leo jaime no orkut, mas sinceramente, o que isto significa mesmo?
E é aí que surge o vazio tecnológico. Que também pode ser chamado de tédio do novo milênio. Começa com uma sensação de, apesar de ter mil amigos na vida online, você tem uns dois ou três quando está offline. O leo jaime nem sabe que você existe. E parece que uma pessoa morre quando some do mundo virtual. A angustia do vazio tecnologico também pode ser percebida quando a gente começa a ter preguiça da superexposição internética. Ficar de saco cheio de entrar em comunidades, blogs, de ler posts. Provavelmente isto culmine com o desligamento do computador. E aí o tédio online pode dar lugar à aflição offline (aquela que pega a gente quando ficamos muito tempo sem abrir os e-mails). E a gente passa a imaginar que quando não está offline... a gente nem existe mais (risos).
Brincadeiras à parte, voltei ao orkut em uma nova atitude. Quero só ligação com poucos e bons amigos. Quero mais tempo offline pra encontrar com a minha familia, tanto os que compartilham do mesmo sangue quanto aqueles que se tornaram familia por escolha e afinidade.
Passei por muitas mudanças estes dias. Quem está por perto sabe bem o que eu passei.
Dei um salto. O tal salto de consciência que tanto ouvi falar. Aquele momento que chega, depois de alguns anos de práticas de internalização quando atingimos um ponto de não retorno, chegamos a um grau de energia em que a coisa toda acontece.
Não teve uma luz brilhante, soar de clarins, anjos cantando. Na verdade, eu só percebi que aconteceu depois de uns 15 dias.
Começa com uma mudança nos ciclos de energia, na alimentação, na postura da coluna. Aquelas coisas que tanto nos recomendam (e a gente nunca faz) se tornam tão naturais como o não fazê-las.
E só saquei as mudanças depois de um workshop este fim de semana. O tipo de curso que normalmente convida a mudar alguns aspectos da vida, ou deflagra estas mudanças. Desta vez serviu para eu descobrir as mudanças... os vários conhecidos que encontrei compartilharam suas percepções, coisas que de fora puderam ver diferentes em mim.
Está sendo muito bom me reconhecer e assumir como este novo ser, conviver com esta nova paz profunda, mais conectada. Ver que estou menos critico e mais amoroso comigo mesmo, e por isto mesmo menos critico e mais amoroso com os outros.
Estou escrevendo menos por aqui porque já não faz tanto sentido. Faz mais sentido viver que escrever sobre a vida.
Tenho dedicado mais tempo a mim e aos amigos. Um impulso interno tem me levado a evitar encontros com muita gente, mesmo sendo todos amigos. As máscaras que eu vestia entre os amigos não encaixam no meu novo rosto e quero aos poucos aprender a estar em grupos, principalmente os de amigos, com este rosto limpo, com esta atitude mais silenciosa, com este olhar mais aberto para receber as pessoas em meu coração.
Por isto tenho escolhidos encontros um a um com as pessoas que gosto, com as pessoas que me procuram. Experimentando estar mais aberto para algumas pessoas que em outros tempos eu não ligava tanto. E me surpreendendo. Mesmo sabendo que não poderia ser de outra forma.
Vida simples, vida boa. Estamos vivos e livres para amar, o meu atual lema.
Sempre que me vejo perante a decisão do que eu quero conservar em minha vida, eu escolho e respondo: a inocência.
Mas o que é a inocência?
Inocência, em primeiro lugar, está longe de ser um estado de tolice, de estupidez. Inocência, pelo contrário é um estado de atenção amorosa. Atenção, por sua vez eu vejo como como a-tensão, ou seja um estado onde não há tensão ou stress. Inocência é a capacidade de enxergar o novo, mesmo que seja a repetição de uma cena vista muitas vezes. Inocência é não julgar, conseguir olhar aquilo que se poderia chamar de erro como uma legitima tentativa de acerto.
Inocência é o que vejo no olhar e sorriso de minha sobrinha. Que está tanto nos olhos de um boi quanto nos olhos de um leão.
Inocencia é sim o contrário da culpa. Porque um ser inocente não se castiga com a culpa, porque segue sempre o seu coração. Culpa é o que a gente sente quando faz algo que outra pessoa não gostaria que nós fizéssemos. Se a gente segue o coração, não há culpa, não há peso nas costas ou dor no peito, porque ousamos ser fiéis a nós mesmos.
Inocência pode ser entendida como inner-essence. Ou seja, a essência mais interna, mais profunda em cada um de nós. Nossa inocência é um lembrete de quem nós realmente somos.
A partir da minha inocência tenho sido capaz de rezar. Vendo a nossa inocência, nossa divindade inerente, nos vemos capazes de enviar nossa voz, de dedicar um tempo de serenidade todos os dias e nos conectar com quem nos realmente somos, ao motivo verdadeiro de estarmos aqui.
"Você é o mundo. Quando você se transforma, o mundo em que você vive também será transformado." Deepak Chopra
Quando esteve no Brasil, na jornada "biologia do amar", o professor do MIT Humberto Maturana comentou que as espécies ao longo de sua evolução vão se transformando a partir daquilo que conservam.
Não pude deixar de me perguntar "O que eu busco conservar em minha vida? E a partir disto, da conservação destas características, em que vou me transformar?"
E logo em seguida ele lançou uma pergunta semelhante, mas mais ampla? Em que nós, a humanidade nos transformaremos. Em que direção segue nossa evolução, nos tornaremos homo sapiens amans amans ou nos tornaremos homo sapiens arrogans?
Coleciono falsos paradoxos. Uma forma de ver que a vida não precisa ser de polaridades. Confira a minha lista.
Não tenho pressa nenhuma, mas não tenho tempo a perder.
Quero leveza e profundidade, ao mesmo tempo
Quero proximidade suficiente para ter intimidade, e distância suficiente para respirar
Quero seriedade e bom humor
Eu quero tudo: sucesso profissional, harmonia familiar e emocional e uma profunda conexão com o divino e com a natureza. E dá pra ter tudo. Não são coisas que se conquista com luta, mas pela serenidade, perseverança, respeito e humildade. Espero que um dia eu aprenda essas coisas.
Ontem eu pedi perdão a algumas pessoas que magoei, e atráves delas a todas as pessoas que eu possa ter por intenção ou omissão, magoado ou ferido. E morri.
Dancei com a tristeza, me deixando levar em sua valsa, escutando as verdades que ela sussurrou ao meu ouvido, aprendendo com elas.
Aceitei o beijo da morte e adormeci pesado, mergulhando na noite fria e chuvosa, me desfiz no nada.
Hoje eu nasci.
Hoje eu acordei leve, com o coração descansado, a cabeça leve e a alma curada.
Hoje eu me levanto, calço minhas sandálias e sigo pelo meu caminho novamente. O olhar limpo pelas lágrimas que precisavam ser choradas.
Eu, mesmo sabendo do que sei, vivendo o que vivi, escolho mais uma vez a vida leve, alegre, inspirada na candura das crianças. Eu retorno e me refugio naquilo que tenho de mais precioso. A minha inocência.
Este sou eu, isto me faz feliz.
Canto isto para você, para mim e para o mundo.
Quero agradecer a tantos seres, visíveis e invisíveis que, seguindo uma intuição, ouvindo o meu chamado, me ligaram, me escreveram, oraram e vibraram por mim.
Em certos momentos da vida, episódios fortes, paixões, sustos, quedas, oportunidades e escolhas fazem a gente repensar quem a gente é, o que a gente quer. Pelo menos comigo é assim.
Então quero compartilhar com todos os (três) leitores deste blog o meu grito de identidade:
Eu sou Gilberto. Mas Gilberto é um som, um nome pelo qual as pessoas me reconhecem e eu me reconheço. E sou mais que isto.
Sou um ser do mundo, um cidadão do universo. Já viajei por muitos lugares e tenho muitos amigos, visíveis e invisíveis. Alguns conheci nesta passagem pela terra, outros andam de mãos dadas comigo há muitas vidas, como é o caso da alma que nesta vida veio ao meu lado como minha irmã.
Sou um ser de luz, um caminhante da eternidade.
Meu propósito nesta vida é ajudar as pessoas. Especificamente dar a elas minha energia, afastando um pouco os véus de ilusão e obliteração, para que elas possam enxergar melhor a realidade em que vivem e ter coragem de transformar sua vida ou de valorizar a generosidade com que a vida os abençoa. Esta é minha missão. Como espirito estarei aqui na terra vida após até o fim.
Além desta missão maior, tenho na vida cotidiana papéis para desempenhar e desejos para satisfazer. Escolhi um caminho de abundância, de leveza, de simplicidade e alegria. E a cada momento que volto para dentro, encontro um eco um sussurro que me diz que está tudo certo, é tudo perfeito, mesmo quando a vida parece imersa no caos.
Ofereço-me como sou ao mundo: afetuoso, sensivel, sereno. Minha essência é de paz, minha essência pede paz, para satisfazer minha fome de eternidade, atender a esse chamado da alma de me conectar com o Mistério que ao mesmo tempo eu sou e que é maior que eu. Para entrar em contato com a essência, para experimentar o que não pode ser descrito em palavras e pensamentos, é preciso desacelerar.
Já conquistei meu espaço, já abri e fechei empresas, já tenho minha estabilidade. Desempenho hoje um papel de lider e de profissional. Vou crescer no meu ritmo, que é menos que o máximo que posso e mais que o minimo. Vou seguindo meu ritmo, dançando a minha musica. Assim como um carro não anda à velocidade máxima, assim como o leão permanece a maior parte do tempo em repouso, assim eu sigo mais devagar, desfrutando o caminho enquanto eu percorro ao invés de andar cego em direção a algo que não sei o que é, tendo dos lados apenas borrões da paisagem que corre.
Eu prefiro uma caminhada prazerosa sem um destino definido que uma caminhada de sofrimento e troca da promessa de um lugar brilhante em um futuro obscuro.
A cada encontro, a cada situação, a minha dança se funde com a dança do outro. Às vezes a dança não flui... um pisa no pé do outro, cada um vai para um lado, uma das pessoas quer dominar a dança e conduzir o tempo todo. A dança segue apenas pelo tempo que faz sentido. Até que chega o momento de seguir adiante, para novos encontros, novas danças, novos aprendizados.
Hoje eu me abraço e me acolho. Danço só por alguns instantes, ouvindo atentamente a musica que toca dentro de mim.
Mais um da série "coisas óbvias que a gente um dia descobre"
Essa ficou gravada como "a lição do Giovane":
Em um bate papo em uma cidade do interior da Bahia, no pé da chapada diamantina, Giovane, colega de caminhada, solta essa frase óbvia e brilhante:
Eu antes de comer penso se o prazer que a comida vai me proporcionar vale as calorias que estou ingerindo. Às vezes eu compro trufas caseiras de alunos da faculdade. Alguns são ótimos, outros nem tanto. Os que são "nem tanto" eu jogo fora depois da primeira mordida, mesmo tendo pago o 1 real. É batato comparando com a economia em calorias.
Óbvio e brilhante.
Ir numa churrascaria e comer até passar mal passa a ser, portanto, uma esperteza burra: a gente não sente prazer pela quantidade de comida, mas pela qualidade e pela atenção que prestamos naqueles momentos. Atenção à comida, às pessoas e ao ambiente.
Assim eu consigo entender os restaurantes chiques, onde se paga pouco e se come pouco também: o que é oferecido não é a quantidade de comida, mas a possibilidade de experimentar sabores e combinações especiais.
Fica mais fácil ainda compreender este raciocínio se pensarmos em vinhos. O preço do vinho ruim e baratinho é a dor de cabeça da manhã seguinte, o gosto ruim na boca, o corpo tendo de se recuperar da agressão.
Então, comer até se matar, mesmo se a comida é ruim, porque o preço é unico não é comigo.
Assim como pagar uma fortuna para comer um pouquinho, que eu também não sou besta.
Nos MBA de marketing que fiz, aprendi sobre o segundo bolso das pessoas: o bolso do tempo.
Antes todos tinham tempo de sobra, pra ficar debruçado na janela vendo a vida passar, como em muitos lugares do interior ainda acontece. Atualmente, em especial nas grandes cidades, a gente não tem tempo pra atender a todas as demandas do trabalho, das relações e da vida, inclusive aquele tempo sem fazer nada, um tempo pra nós mesmos.
É aplicar a economia, a lei de oferta e procura, ao nosso tempo. O tempo fica valioso demais pra gente desperdiçar com pensamentos e atitudes menores, com pessoas chatas, com programas ruins. Eu prefiro não fazer nada, ficar em casa lendo um bom livro.
Quando nos colocamos em uma situação dessas, a alma vai embora, o pensamento viaja. A vida só acontece quando estamos presentes, de corpo e alma. Pense no tempo de uma viagem de ônibus, em que o pensamento fica pulando de um lado pro outro, entre os outdoors, pessoas, carros e caminhos que a gente já viu, pensamentos em ziguezague... é como se fosse um screen saver cerebral.
Mas o que eu queria dizer é que isto, a timeless society, está esmagando as pessoas. As pessoas que eu conheço que são mais sensiveis estão tristes, os grupos de biodança e de atividades de autoconhecimento estão minguando. E não é por falta de dinheiro, mas por falta de tempo.
Experimente nas frases em que você usa a palavra tempo, colocar a palavra vida. Vai render boas reflexões.
Tantas escolhas para fazer... tanto para fazer... tanto a aprender... tanto para amar...
... e tão pouco tempo.
O meu grande desafio é esse... serenar a minha ansiedade, essa vontade de devorar o mundo, essa fome de eternidade.
Essa fome é saciada quando finalmente percebo que ao tocar algumas poucas pessoas, posso proporcionar momentos fugazes de paz, que muitas vezes levam à transformação.