"Se nossa intenção for modificar quem realmente somos, não teremos sucesso. Se nossa intenção for nos tornar quem essencialmente somos, não poderemos deixar de ser verdadeiros diante dos mais profundos anseios da nossa alma."
Dia 29 de maio sai para viajar em Férias. Andava meio estressado faz algum tempo, a ponto de ter dificuldades para tomar decisões.
Antes de partir, relacionei uma lista de escolhas e decisões que me pareciam importantes e complicadas de se tomar, desde coisas simples como comprar ou não um computador para casa, qual meu papel no movimento de biodança, qual o meu papel na empresa, que rumos tomar... Anotei tudo e esvaziei a cabeça, seguindo para a viagem.
Viajamos eu e Lisandra pela Azul, mas logo na saida tivemos um contratempo. Nos preparamos direitinho, comprando a passagem em março. O onibus deveria sair do shopping Eldorado às 9:30. Mas os horários mudaram e como não vimos antes de sair, acabamos perdendo o onibus. Em contato com a empresa, eles mudaram nosso voo para a tarde. Perdemos uma tarde na bahia e tivemos de gastar R$ 120 com um taxi, já que não havia mais onibus àquela altura. No onibus, musica sertaneja alta e cheiro de cigarro. No avião uma criança fazendo algazarra.
Mas enfim, são ferias e isto não iria nos deixar mau humorados. Ficamos quatro dias na praia do forte, hospedados no albergue da juventude. Ali perto, um mega resort com diárias de mais de mil reais e a gente pagando 35 cada um. Foram dias de conversas, sol, banho de mar, caminhadas, boa comida, boa bebida, boa conversa. Visitamos a base do projeto tamar e do instituto baleia jubarte.
Nada mal, cerveja, iscas de peixe, casquinha de siri...
...em excelente companhia!
A praia do forte é um lugar bem turistico, algumas ruas de comércio, todas elas com suas plaquinhas de madeira esculpida, com o logotipo da visa, que parecia ser o patrocinador oficial da cidade.
Foram quatro dias de caminhadas sossegadas pela praia, cochilos sem horário definido. Também alugamos uma bike e pedalamos até o forte, algo em torno de 12km somando ida e volta.
Depois desses dias, pegamos um onibus para salvador. Como nosso onibus só sairia à noite, ficamos um pouco no shopping iguatemi, onde comemos uma comidinha japoneza e assistimos ao filme "anjos e demonios" (não tinhamos muitas opções - o filme é médio, adaptação de um livro médio). O que me chamou a atenção foi o ar condicionado polar e o video de orientação que dizia para as pessoas não chutarem as cadeiras da frente.
Lisandra me contou que em uma outra viagem que ela fez para a Bahia foi para uma festa. Seguiu de saia e camiseta e na porta viu as meninas entrando de blusa e de botas. Lá dentro, o ar condicionado para deixar esquimó se sentindo em casa.
Enfim, quatro dias de tranquilidade e descanso bem merecidos.
Sigo hoje à noite para Salvador e amanhã para SP. A partir de quarta publico as histórias e viagens aqui no blog.
O roteiro, em resumo:
- De salvador fomos eu e Lisandra para a praia do forte, onde ficamos 4 dias. - De lá viemos para lencóis, onde ficamos juntos mais 3 dias. - Lisandra retornou a SP. Eu segui para o capão - Durante os 7 dias restantes, fiz com um grupo a travessia do vale do paty, num total de 60km de caminhadas.
Bom... a gente diz as coisas e elas voltam pra gente, rsrsrsrs...
Ontem eu tive um dia de turista beeem tipico, rsrsrsrs, com direito a gastar uma bala em um almoço em Puerto Madero.
Aqui em Buenos Aires é possivel fazer tudo caminhando ou usando metrô (que aqui chama-se Subte). O Subte é composto de linhas relativamente curtas, mas que cobrem a cidade muito bem com suas 5 linhas.
Estamos hospedados na Av Santa Fe, umas das principais. Ficamos a uns 4km do centro. Fomos para a estação Catedral e de lá caminhamos para Puerto Madero. Um senhor nos indicou um restaurante chamado "Cabana de las Lilas". O lugar é excepcional, a comida maravilhosa. Custou o equivalente a um almoço no Figueira Rubayat. Vai lá, um momento de indulgência no começo do passeio.
Do centro a Porto Madero seguimos pela Calle Florida, uma rua de compras estilo calçadão. Tanto a Santa Fe quando a Florida são ruas de compras, onde temos lojas muito chiques. Quase comprei uma camisa na lacoste daqui (que sairia por uns 130 reais) mas o modelo que gostei não tinha no meu tamanho. Na Calle Florida existem vários musicos, a maioria tocando as flautas de pan acompanhados por musicas pré-gravadas, uma versão mais chique dos peruanos que tocam em São Paulo. Buenos Aires está tomada de Brasileiros, como Floripa fica cheia de Argentinos.
De lá caminhamos para Santelmo, um bairro bicho-grilo aqui. Pelas ruas, artesãos apresentam seus trabalhos, bem estilo Embu das Artes. Nas esquinas, estátuas vivas que impressionam pela qualidade em simular cobre e metal em seus rostos e vestes. Também musicos, violeiros, marionetes, cantores de tango. Me impressionou um grupo de jazz com bateria, baixo, guitarra e uma garotinha tocando jazz tenor... todos muito bons, assim como um grupo que na rua tocava tango: eram três tocando acordeon, quatro violinistas, um contrabaixista e um pianista. Quando baixar as fotos da camera coloco alguma coisa por aqui. Ali tem também um lugar que dá aulas de tango e promete ensinar em uma hora a dança mesmo a quem não sabe nada. Por 150 pesos. Não nos entusiasmamos com a proposta e seguimos adiante.
Ali comprei pra mim um chapeu panamá, desta vez do tamanho certo para minha cabeça.
Caminhamos bastante até chegarmos ao metrô e voltar para casa. Todos cansados, tiramos um cochilinho às 19:00... que terminou na manhã do dia seguinte.
Hoje voltamos a calle florida, e o dia seguiu num estilo mais sossegado. Encontramos com o pessoal que estava no hotel e passamos a tarde na base de cervejas, empanadas e conversas.
Bom, deixo um video do Piazzolla, para passar um pouco do clima de tango daqui.
Chegamos a Buenos Aires de madrugada. Fazia calor (25 graus) mesmo sendo 11 da noite. Não deu tempo de explorar e conhecer muito, mas tenho algumas primeiras impressões:
A cidade é menos poluída que São Paulo, mas acho que são poucos lugares com o ar tão sujo quanto Sampa
Aqui existem umas lojinhas nas quadras, uma coisa que parece um pouco uma banca de jornal, que vendem bebidas, chocolates, sorvetes... vou tirar umas fotos para mostrar melhor.
A frota de carros é mais envelhecida e há menos pobreza nas ruas. O que me leva a conclusão de que o país está um tanto empobrecido - em particular a classe média - e que não existem diferenças tão abismais quanto no Brasil.
Vale a pena comprar pesos com dólares. A taxa que eles praticam é mais justa, com um spread menor. Não vale a pena comprar pesos com reais, que eles fazem uma cotação quase de 1 pra 1, quando na verdade o Peso vale R$ 0,70.
As tomadas aqui são muito diferentes. São três lâminas dispostas de forma angular, outra coisa que só com foto pra explicar.
Fomos muito bem recebidos por Dona Lucia, a proprietária do apartamento que alugamos por intermédio do site www.bytargentina.com . Muito simpática e amigável, nos mostrou o apartamento ( simples e aconchegante ). Tudo muito limpo e arrumado.]
Devo telefonar para meus amigos Norma e Diego, ela facilitadora de biodanza, ele aluno, muito queridos que moram por aqui. A idéia é pegar dicas de quem mora aqui para visitar os lugares gostosos da cidade saindo um pouco do roteiro de turista. Para mim, não cabe chegar ao lugar, ir onde todo mundo vai, tirar um monte de fotos, comer hambúrguer ou comida fast food e voar de volta, só pra dizer no Orkut que estive aqui: isso seria “consumir” o lugar. Nesta viagem eu quero descobrir a essência da cidade, olhar um pouco para a personalidade de Buenos Aires, conhecendo as pessoas e o seu modo de vida.
O restante da semana em manaus foi mais do mesmo... do hotel para a empresa e de volta. O sistema foi implantado com sucesso (e talvez com alguns bugs, que o Reginaldo ao longo da semana vai cuidar por lá).
Mas na sexta tive uma despedida muito jóia. Conheci alguns lugares novos em Manaus (Eldorado, ponta negra, etc.) onde havia gente interessante. Fui com um colega da empresa e duas moças amigas dele.
Em Eldorado, um bairro de lá, ficamos eu e alguns amigos em uma praça rodeada por bares, cada um com um telão voltado para a praça e - felizmente - som em um volume não tão alto. Conversamos animadamente sobre várias coisas, sobretudo sobre a cidade e as características de cultura de manaus e de Parintins.
De lá seguimos para o bar "Porão do Rock" onde tocava uma banda muito boa, do nivel que se ouve aqui em SP no café PiuPiu e similares. Dancei até as 3 da manhã.
Este ultimo passeio fez um upgrade na minha visão a respeito de manaus. Um lugar que vale a pena visitar e que em janeiro eu visito novamente.
Domingão, dormimos até um pouco mais tarde e seguimos para o centro, onde alugamos uma lancha e seguimos de passeio.
Conhecemos o encontro das águas. É impressionante a nitida divisão entre um rio e outro.
Seguimos pelo rio cruzando casas flutuantes. O nivel do rio estava baixo, de modo que várias ilhas se formaram. Basta um pouco de terra ficar exposta e um gramado surge ali.
Cruzamos vários barcos mas é uma baixa estação, e o movimento turistico está reduzido. Pouco depois, duas canoas se aproximam... meninos trazendo bichos exoticos para exibir: dois jacarés pequenos, uma sucuri e uma preguiça.
Peguei a preguiça nas mãos, um bicho dócil e sossegado, unhas impressionates, uma cara que parece sempre estar rindo. Gostei tanto que agora é oficial: o mascote da minha área de programação vai ser uma preguiça... programators preguiçators tabajara é o nosso lema: se alguma tarefa estiver dando muito trabalho, bole um jeito de simplificar e facilitar.
O jacaré com a boca amarrada não oferecia muito perigo. Achei uma pena ver o bicho naquela situação, mas não era o momento mais apropriado de desamarrá-lo.
Peguei a sucuri nas mãos segurando no pescoço (bom, se parar pra pensar, uma cobra é toda um grande pescoço). Ela não estava amarrada e em dado momento abriu o bocão querendo dar uma mordida no Reginaldo. Segurei com mais firmeza por reflexo, mas nos assustamos com a situação. Devolvi a sucuri para os garotos e seguimos viagem, rindo do susto.
Comprei algumas lembrancinhas em um restaurante, visitamos um trecho da reserva onde haviam algumas vitórias regias e dois exemplares impressionantes de samaomeiras, árvores com mais de 200 anos, imensas. Em uma primeira parada cruzamos com um grupo de turistas - a falação e uma atitude de consumo do grupo confirmou a minha escolha de viajar fora de um grupo daqueles - tinha até um rapaz filmando, provavelmente para vender o DVD da aventura amazonica aos turistas.
Na segunda parada, pudemos fazer uma caminhada um pouco maior em silêncio onde eu pude entrar em contato com a floresta, pelo menos o suficiente para sentir um pouco da energia, que não há como descrever com precisão. É como uma brisa fresca sobrando através da gente. Algo que com mais tempo e estado meditativo eu poderia aproveitar melhor. Ficamos um tempo em silêncio à beira do rio junto com uma familia que vendia artesanato naquela trilha, tomando água de coco e percebendo o tempo desacelerando, fluindo calmo com o vento e com a corrente do rio.
Quando voltamos, ainda tive pique de dar uma caminhada. Acabei assistindo um filme, "Busca Implacável" (o titulo original é "Taken"). Lembrou-me de um filme Ronin, onde há muita ação mas pouca história. Apesar da atuação competente do ator principal eu não gostei.
Voltei para o hotel e li um pouco. Estou lendo "Os irmãos Karamázov" de Dostoiévski. Estou no começo, mas gostando do que acompanhei.
Amanheci bem, considerando a noite anterior. Fiquei no hotel pela manhã e decidimos eu e Reginaldo sair para explorar a cidade.
Primeiro caminhamos um tanto, passando por um shopping que descobrimos foi o lugar onde tomamos todas na noite anterior. Parecia muito mais distante, agora a gente sabe que pode chegar a pé se acontecer de novo.
Vi que o Jorge Vercilo vai tocar aqui na sexta. Vou comprar um ingresso para o show. Interessante e improvável esse lance, mas até o Nightwish está vindo tocar e Manaus.
Depois de uma hora de caminhada, decidimos ir de onibus para o centro. Depois de ficar em pontos errados e certos por um tempo, e vendo que o tempo escurecia, resolvemos pegar um taxi. O vento era tão forte que vimos um daqueles outdoors de vinil estilo backlight, ser devastado pelo vento e parte do telhado.
Seguimos no taxi observando a ventania e comentando sobre ela, quando ouvimos um barulhão e sons de pneus cantando. Olhamos para trâs a ponto de ver um poste metálico de iluminação que acertou um carro que estava coisa de dois ou três metros atrás de nós. Por menos de um segundo o taxi onde estavamos poderia ter sido acertado. O outro carro foi acertado de raspão, na pouco depois do vidro traseiro, de modo que não houve vitimas, além do susto.
Fomos ao teatro municipal, muito bonito. A visita guiada no entanto custava 10 reais por meia hora, o que me deixou um pouco desanimado. Chovia bastante quando chegamos, de modo que nos abrigamos alguns minutos antes de seguir pelo centro.
Comprei um presente para minhã mãe e duas camisetas e um colar para mim. Depois comprei uma calça e uma camisa de algodão lá de recife, satisfazendo um desejo meu que passou batido quando estive em joão pessoa. Vou chegar na aula de biodanza de quinta vestido a caráter, rsrsrsrs.
Impressionante que não se encontra com facilidade bombons de cupuaçu aqui. Rodamos um monte pelo centro e não achamos uma doceria ou lugar assim.
O centro estava animado, muita gente andando para todo lado, barraquinhas de eletrônicos, brinquedos e pirataria de DVDs, jogos e CDs. As barracas de alimentação oferecem saladas de frutas, o que eu achei bem inusitado. É comum as pessoas tomarem as vitaminas de frutas preparadas nestas barracas sentadas nos bancos da praça, enquanto o normal paulista é comer sancuiches com refrigerante, ou churrasco grego com suco grátis, rsrsrsr.
Visitamos o porto, que fica ali no centro. Outro lugar inusitado, onde a gente em uma rodoviária de barcos. Em uma tela vão aparecendo os barcos que chegam, de onde vêm, coisa e tal, da mesma forma que na rodoviária. Muitas mesas e cadeiras para as pessoas tomarem chop com o visual do rio, que é imenso e deslumbrante.
Reginaldo fez algumas compras e reparamos que as pessoas aqui tem um outro hábito saudável, elas se tocam quando falam. A vendedora o tempo todo tocava no braço do reginaldo, não segurando ou cutucando, apenas encostava suavemente os dedos no braço. Não dá pra não lembrar do começo do filme Crash - no Limite. O filme pode ser assistido uma segunda vez de forma muito diferente apenas pela reflexão sobre esta frase, percebendo o significado de cada situação em que as pessoas se tocam. Termino este capítulo com a referida frase:
“It’s the sense of touch, In a real city you walk. You brush past and people. People bump into you. In L.A. nobody touches tou. We are always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much that we crash into each other just so we can feel something.” ( Ë o sentido do toque. Numa cidade de verdade você anda esbarra nas pessoas, elas topam com você. Em Los Angeles, ninguém toca em você. Estamos sempre atrás de metal e vidro. Acho que sentimos muita falta do toque. Damos encontrões uns nos outros para sentirmos alguma coisa).
31 de outubro, dia das bruxas. O dia transcorreu tranquilo, eu seguindo no desenvolvimento do sistema e fazendo alguns ajustes. Comprimeitei minha mãe que fez aniversário, 63 aninhos.
Ao fim do trabalho, segui para o hotel só para deixar os notebooks e seguir para o calçadão, onde o pessoal se reune para paquerar e beber. O Reginaldo se concentrou em paquerar e eu me concentrei em beber...
Geralmente 2 copos de cerveja já são o suficiente para me deixar alegre. Bom, na sexta eu devo ter tomado o equivalente a umas 4 garrafas. Dá pra imaginar que eu estava MUITO ALEGRE.
In vino veritas. Repetimos a tradição de beber e conversar durante algumas horas. Quando eu pensava que iamos voltar para o hotel, fomos para uma choperia, encontrar com outros amigos e dançar. Foi ai, quando precisei fazer coisas complexas como andar e dançar que eu descobri o quanto estava bebado. Tomei agua dai pra frente, umas três garrafas, mas não aliviou a bebedeira (mas me ajudou a não ter ressaca no dia seguinte).
O Reginaldo seguiu no seu instinto caçador, para sufoco de uma morena lá. Eu até esbocei alguma coisa mas a minha figura era engraçada demais para ser atraente. Então fiquei no bate papo com as pessoas do lugar. Até fui convidado para uma festa de aniversário no sábado, mas anotei o telefone errado.
Cheguei no hotel quase 2 da madrugada, cansado, desnorteado e feliz da vida com a inesperada noite de embriaguez e dança.
Os dias tem sido tranquilos. Trabalho, sair à noite para comer alguma coisa, voltar para o hotel.
Hoje tive dores nas costas e segui para o hotel mais cedo, onde pude descansar um pouco e depois me dedicar ao trabalho de forma mais concentrada.
Criei um recurso muito bacana que devo usar em meus outros projetos: um gerador de slides em powerpoint. O princípio é o seguinte: escolher de uma lista de gráficos pré definidos os que se deseja usar na apresentação e depois pedir para o sistema criar. Em segundos o access abre o powerpoint, aplica o modelo da honda e começa a criar os slides com os gráficos e relatórios em questão. Ficou show de bola.
Conheci o shopping millenium e o amazonas. Conversei bastante com Rodrigo, que supervisiona o projeto, tanto sobre questões de trabalho quanto de questões de religião. Ele é Cristão e conhece bastante da Biblia. Comentou de suas experiências e práticas com bastante entusiasmo e coerência. É bom poder ter uma conversa sobre um tema como este sem cair na armadilha de certo e errado e de conversão.
A viagem foi, hum, ruim. Pegamos o vôo das 23:56... um avião completamente lotado, uma viagem de 3 horas e meia. Coloquei os fones e vim ouvindo Diana Krall, que foi um fator atenuante. Mas como eu estava cansado, não conseguia prestar atenção aos detalhes e à letra da musica. Claro, uma turbina a todo vapor reverberando ao meu lado também não ajudava.
Acordei com o pessoal servindo o jantar para as primeiras pessoas. Eu acho que fiquei numa posição ótima: fui um dos ultimos a ser servidos. Quando vi que ia demorar, tentei me refugiar na minha mente, ouvindo a musica: imaginei Diana Krall num longo vestido, um piano brilhante habilmente tocado, um contrabaixo dedilhado.
Deu certo por dois minutos: uma criança começou a chorar e pouco depois alguem por perto começou a roncar. Dava até pra ver os dois no teatro que eu imaginei, Fred Flintstone roncando e baby sauro chorando. Finalmente chega o jantar: saladinha, pudim e macarrão: tudo frio. Pedi um vinho: veio um grafignia que estava amargo.
Recorri à litania da paciência "uma hora, essa merda acaba... uma hora, essa merda acaba..."
Chegamos 2 da manhã, horário local. Temperatura de 27 graus. Viemos num taxi onde o motorista insistia em falar palavrões, contando das malas de dinheiro que o Lula vinha buscar em Manaus, contando piadas de gosto duvidoso. Mas enfim, nos hospedamos no Hotel Ibis, um bom hotel, apesar do hábito de economizar em tudo me desagradar um pouco. Dormi bem, mas acordei cansado.
Cheguei ao cliente às 9, fui apresentado ao pessoal. Tudo por aqui correu bem. Acho que parte do incomodo é efeito da vacina da febre amarela, que soube hoje ter alguns efeitos colaterais.
De qualquer forma, eu vou dormir cedo hoje, mudar minha vibração para não tornar esta viagem mais uma série de desventuras como uma ida ao rio que contei por aqui.
Não consegui retirar meus óculos no sábado e agora - não sei se é psicológico - sinto um certo incomodo na visão do olho direito. Faltando 15 dias para os 35 anos, não dá para evitar as reflexões acerca da idade, assunto que vou abordar assim que tiver um pouquinho mais de tempo.
Estou de partida para Manaus a trabalho. Como gosto de fazer, vou relatando os eventos e situações com que vou me deparando.
Como é viagem a trabalho, não devo ter grandes emoções, além de, sei lá, criar uma função que integre arquivos PDF a mensagens HTML enviadas por uma DLL diretamente ao servidor SMTP... Ei! Acorda!
Bom, para quem reclama que nunca escrevo aqui, lá vai um mega-post, que vou dividir em pequenas partes diárias, sobre a minha viagem a São Thomé das Letras/MG.
Eu já tinha ido a uns 10 anos atrás, então foi um reencontro com a cidade dos malucos-beleza.
Fomos eu, Wlad, Katia e Marcelo. Logo cedo um acidente: fui procurar a minha carteira na mochila e tateando o conteúdo consegui cortar o meu dedo no aparelho de barbear: tirou uma tampa do dedo e ficou um tempo pingando até eu subir de volta ao apartamento e colocar algodão. Até agora está um pouco dolorido pra digitar.
Saímos de SP na manhã de quinta e fomos conversando as 4 horas sobre nada, como só os bons amigos conseguem. Desde relebrar coisas do arco da velha, como as rixas entre os punks e carecas, com ácido e machadinhas, até as musicas do nosso tempo que andam esquecidas. E é claro, muuuuito papo cabeça e discussão filosófica.
A cidade mudou pouco. A mesma garotada, os hippies um pouco mais velhos, um pouco mais de comércio. A Luciana, amiga minha, me diz que eu gosto de coisas de bicho-grilo, ela precisava ver aquela galera pra saber o que é bicho grilo e micróbio de verdade.
Chegamos perto de uma da tarde na Fundação Harmonia, assunto que vou comentar no próximo post.
Segunda acordei cedo e fui caminhar pela praia com Janaina. Conversamos bastante, sobre a vida e sobre as nossas histórias de biodança. Tem certas coisas que realmente não mudam... Tanto nos grupos de SP como daqui tem aquelas figuras carimbadas: a moça que gosta de dramatizar sua história e fica falando sem parar na roda verbal, as pessoas que dançam vestindo máscaras e que se recusam a entrar na vivência e se abrir para dentro, enfim, os tipinhos carimbados e folclóricos que a gente encontra por nas rodas da vida. E da mesma forma, chega um tempo que a gente se afasta e sai pro mundo pra respirar. Depois dá aquela saudade e a gente volta, com a certeza de que embora como qualquer atividade humana a biodanza tenha seus defeitos, é algo extremamente rico e nutritivo. E o retorno tem outras vantagens, uma maturidade renovada, um estar presente por inteiro no grupo motivado não pela necessidade, mas pela vontade tranquila de estar ali e viver as histórias com suas figurinhas.
Fizemos compras no mercado e ao voltar fomos parados em uma blitz. O guarda nos parou e cumprimentamos ele sorridentes: "Bom dia seu guarda!". A gente estava animado, os dias tem sido generosos com a gente. Quando o guarda pede documentos Janaina, ainda sorrindo, explica que está sem os documentos do carro, sem carteira de habilitação. "A gente foi aó ali no mercado, oxente!". Eu até ofereço a minha habilitação, mas ela acabou de vencer. Até proponho, cara-de-pau que sou "olha, a gente pode buscar os documentos e trazer pro senhor ver". Acho que ele nunca parou um carro como o nosso... Coisas da vida, o guarda, também um cara sorridente, falou pra gente "então me dá qualquer papel aí só pra eu fingir que estou conferindo documentos", a gente arrumou um talão de recibos de aluguel em branco dentro de plástico de fotos ou coisa assim. Ele conferiu pra ver se estava tudo certo e a gente rindo, agradecidos pela generosidade dele.
Tomamos um café da manhã e seguimos pro centro, onde eu fiquei tentando acertar o tal programa do cliente que não funcionava de jeito nenhum. Não deu muito certo, mas pedi pro pessoal mandar por ftp para eu dar um jeito por aqui. Descobri um cyber café que tem um cabo compatível com a minha câmera. Assim, em breve coloco as fotos aqui no blog.
Ufa! Agora o blog está up to date com as minhas aventuras. E ainda tem 7 dias pela frente... Huhuuu!
Hoje foi um dia bem de turista. Seguimos para a praia e passamos o dia por lá. Estavamos eu, Giordinho, Janaina, Caio, Jaqueline (irmã de Janaina), Gabriel (filho de Jaqueline) e mais dois amigos de Caio. Ficamos numa boa, entre o quiosque de beira de praia com cerveja e bom papo e mergulhos no mar. Roberto, amigo biodanceiro e militante roxo de esquerda juntou-se a nós. Conversamos sobre a produção cultural de Pernambuco, que apesar de muito rica não tem encontrado espaço para florescer. Infelizmente o que tem se sobressaltado são os forrós mais baixaria que a gente tem visto. A ditadura das massas e das gravadoras mostrando mais uma vez a sua cara. Conversamos também com um amigo de Janaina, professor da universidade de moda daqui (ele dá aula e trabalha com figurinos de cinema) trocamos algumas dicas de filmes. Um deles, dolls, eu vou certamente assistir com um novo olhar para o trabalho de figurinos.
A certa altura fizemos uma sessão de fotos, momento garota do fantástico (só quem é da minha idade lembra dessa). Assim que descolar um jeito de copiar dos cartões de memória para o micro eu coloco elas no ar.
Em seguida, ao entardecer, seguimos para um bar chamado Jacaré, que fica na beira de um rio. Lá eu presenciei um ritual que ocorre todos os dias, uma despedida do sol ao som do bolero de Ravel, tocado por um saxofonista. Uma cena muito bonita, um dos mais belos momentos de minha estadia aqui. Tirei algumas fotos mas mais importante, inspirei-me bastante naqueles momentos.
Ainda tivemos pique para ir dali a um bar vizinho, o Golfinho, onde uma banda tocava em violino, bateria, sax, baixo e guitarra sons de "I Will survive" e Tim Maia a aquelas musicas que a gente vê nos filmes caipiras americanos (Olhe pra ele, olhe pra ela, peque seus pares e sebo nas canelas!!) então saimos dançando meio alucinados, tomados pela euforia do momento, para espanto de algumas pessoas das mesas em volta (risos)... Chegamos causando ali também. Depois curtimos um pouco de forró mas, misteriosamente, eu fiquei timido pra dançar... Misteriosamente nada, é que tinham uns casais tão bonitos dançando tão bem que eu não quis atrapalhar com o meus passos dois-prá-lá-dois-pra-cá de paulista.
Voltamos pra casa até que cedo (por volta das 10 da noite) e fomos dormir, exaustos e felizes. Do jeito que estou sendo bem tratado, vou virar frequentador destas paragens.
Um fato importante que acabei não comentando sobre o sábado. Ainda estava num clima de preguiça à tarde depois de enrolar brigadeiros quando Caio, depois de muita insistência, me levou para a praia para um mergulho. A melhor coisa que fiz... Um mergulho naquele mar limpo e quente do fim da tarde me despertou, levou embora o cansaço, me revigorou. Ficamos conversando, eu respondendo às perguntas dele sobre São Paulo, sobre o meu trabalho... Me sinto provocando ele para conhecer a cidade dos doidos. Mas ele curtiu saber mais de outros lugares, acho que ganhando novas perspectivas.
Hoje é aniversário de Caio, o filho de Janaina que completa 12 anos. Flamenguista e malabarista, uma figura bem divertida. Fomos de manhã procurar um player mp4, o presente que ele tinha escolhido. Passamos por algumas lojas, vimos preços de computadores, e descobrimos, depois de uns 4 lugares que o primeiro era o mais barato mesmo. No caminho a gente falava uns papos-cabeça, falando de matrix e do sistema capitalista. O Caio aproveitou para perguntar várias coisas sobre a misteriosa cidade de São Paulo e seus mitos.
Mas antes de voltarmos para comprar, passamos no shopping center daqui. Foi divertido passar no flipperama e ter o momento criança. Dancei naquela máquina Pump. Apesar do meu tamanho eu sou bem rápido e dancei algumas musicas rápidas que já conhecia (teve um tempo onde havia uma máquina destas perto do meu escritório, vez por outra eu dançava nelas, de gravata e tudo, rsrsrsrs). Ainda jogamos nas máquinas de corrida e de pinball antes de almoçar na praça de alimentação.
Depois de comprar o mp4, passamos uma boa parte da tarde enrolando brigadeiros para a festa. Seguindo uma sugestão minha, fizemos brigadeiros de ovomaltine. Ao invés de chocolate, usamos ovomaltine tanto na massa quanto no exterior. O resultado, embora de um aspecto estranho, é muito bom, com um sabor diferente e mais suave. Fez sucesso na festa.
À noite seguimos para a festa, na casa da avó de Caio. Passamos na casa de amigos e reencontrei Margarida, uma colega de caminhadas na chapada muito divertida. O pessoal de João Pessoa é muito acolhedor e afetuoso.
Depois de um tempo de festa, como não podia deixar de ser, me enturmei com as crianças, coordenando as brincadeiras e propondo algumas competições que aprendi no curso de palhaço. Foi interessante ver as diferenças de atitude nas crianças. Algumas queriam competir comigo, uns se afeiçoaram e ficaram grudados, outros estava timidos e ficavam em um canto, olhando com vontade de participar antes da alegria da brincadeira puxá-los irreversivelmente para a roda. Me disseram na volta pra casa que fiz sucesso como animador de festas infantis. Tanto que me intimaram para uma outra festa na segunda feira. Quem sabe não inicio uma nova profissão por aqui? ;-))
Amanheci em João Pessoa na sexta, mas pouco conheci da cidade. Estava cansado da viagem e me adaptva aos poucos à temperatura e pressão diferentes daqui. Deixando São Paulo em São Paulo e esperando a minha alma chegar. Um descanso que mostrou o quanto eu ainda tinha no corpo o stress das experiências dos ultimos meses.
Conheço um pouco do centro, ao me encontrar para almoçar em um restaurante natural. Mas São Paulo não me deixou: um cliente às vesperas de auditoria me ligou com problemas em um sistema, de modo que foi necessário enviar uma pessoa para tentar corrigir os bugs. Infelizmente sem muito sucesso.
Uma noite tipicamente paulista se seguiu: pizza e papo.
A partida para João Pessoa ocorreu em um dia marcado por um momento triste para mim, ao mesmo tempo um momento de esperança. Não vou comentar por aqui porque é algo muito pessoal.
Mas tudo correu bem. Separei algumas roupas, meu livro do momento, as revistas piaui, trip e vida simples e segui para o escritório onde dei algumas instruções para o pessoal, resolvi algumas coisas e recebi o comunicado que fui multado na ida para Jacareí a umas três semanas atrás. Mas era minha saída de férias, isso não me abala. Aliás em breve vão me pedir uma foto para colocar no detran como cliente preferencial.
Pequei o vôo para João Pessoa com escala no Rio, um atraso moderado de 30 minutos para o embarque. Tolerável pra quem já perdeu 9 horas. O vôo dura coisa de 4 horas, sem maiores transtornos. Um momento mágico foi acordar por volta de meia noite e ver do lado de fora um céu incrivelmente estrelado sobre as nuvens iluminadas pelo luar. É de tocar o coração mesmo. E de espantar que eu estava em um monstrengo de muitas toneladas, viajando a mais de 800km por hora.
Cheguei em João Pessoa onde pego um taxi para a casa de Janaina e Giordinho, meus anfitrioes nesta etapa. O taxista se atrapalha um pouco no caminho, e quando estavamos chegando resolveu contornar uma grande poça d´água... (As ruas daquele são irregulares e as chuvas dos ultimos dias criou umas poças de até 5 metros de comprimento... Olha que chique, eu fiquei hospedado na região dos lagos...) Mas voltando ao taxista, ele contornou a poça e acabou se atolando na areia. Já cheguei causando por aqui.
Depois de algum tempo de aceleração e patinação sem movimento, desci do taxi, no momento em que um rapaz apareceu com uma enxada e uma táboa. Me pergunto: de onde aparece um cara com uma enxada às 2 da madrugada? As hipóteses do fantástico mundo de bob são:
- Era um vigia armado com uma enxada (inagino a cena do ninja da enxada)
- Era um vizinho acostumado a estes atolamentos, que depois de ajudar a desatolar o taxista pediu um dinheirinho de ajuda, e que no dia seguinte com sua mangueira regava alegremente o seu lamaçal de estimação.
Janaina veio me resgatar, de modo que não deu pra saber o desfecho da história.